Sábado, Março 28, 2009
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ONDE
["Com que direito me ensinaste a vida quando eu estava bem, morta de frio?..."]
Estávamos, saberia?
Se mãos dadas, se olhos dispersos, se acaso?
Talvez disritmia
Ou grandes demais
talvez pequenos
Feito girino,
feito pedaços
de grama
Dispersos, ventos e idas
Diria, certa de si, estávamos
Praqui
prali
Juntos
Ventos, girios e gramas.
Acaso
Aqui não há silêncio
Não se ouve o que de si berra mais alto
Não se é
Aqui, espera
Soluço
calo
Pacientemente,
passo
Não somos
Fôramos?
Ciclo sem fim
A querer ficar
pedir que esteja
Tempo
O que não sobrou
escorre pelos lençóis sonolentos
Não estava
Quisesse,
talvez.
Saberia?
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O Inferno São os Outros
Segunda-feira, Março 16, 2009
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MOVIMENTO
Beirava o abandono.
De si. Dele. Dos outros.
Um abandono sem avisos. Virar-se em direção à porta e iniciar a caminhada. Mala roçando a lateral do corpo. Olhos miúdos e dispersos.
Abandonar os desencontros e a espera.
Largar.
Abrir mão.
Esquecer.
De si. Dele. Dos outros.
Um esquecimento lento. Ocupar-se de livros, pássaros e gastronomia. Finais de semanas recheados de si.
Esquecer as insônias.
Mãos soltas. Arritmia. Suor.
Ir.
E depois de tanto.
(tendo vivido indiretamente os desenlaces necessários)
Abrir-se inteira.
A permissão.
De si. Dele. Dos outros.
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O Inferno São os Outros
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