HORAS DE CLARICE
"A ave sai do ovo. O ovo é um mundo. Quem quer nascer tem de destruir um mundo." (Hermann Hesse)


Segunda-feira, Dezembro 11, 2006  



[e não porque se desenha o lá longe e o muito depois. Saudades são felicidades que não se permitem esquecer. São esses tempos que se paralelificam da corrida natural dos demais tempos, se embromando entre nossos passos trôpegos e distraídos]

Sei bem que teus olhos são atentos [não imaginas, tu, o quanto eles brilham], mas falo do que aliena sem opções. Somos todos uma espécie de dormência constante. Olhe pra cá com mais carinho - não pretendo principiar minha desgastadada ladainha. Ou acha que essas cores reluzentes e músicas estonteantes foram feitas para o levante? Ah, meu querido. Gostaria, eu, de não acreditar em mim mesma. Nesse discurso que criei de uns dias pra cá. Torça o nariz e espere pelos novos azuis que me sacolejem o dia e a carcaça [pesada]. Ando sendo mais sincera com a pequenez dos meus soluços. E já não peço arrego. Do pêlo de tuas pernas eu continuo a desejar o motivo de meu gozo e tento repudiar quando utiliza-se desse colo que nada acalenta, meu amor. Porque é por demais escuro e frio. E você insiste em esticar os braços. Claro...bem sei que quem insiste sou eu. Mas que se não insisto tu vai embora breu adentro. E do colo meu, o que eu faria? Outros comeriam dessa vida que costurei no tempo. Mas se chamo teu nome, me estranham os olhares todos. Outros que brinco. Contigo não ouso invenções de criança. Teu tamanho encolhe, me acotovelando para as quinas. Então saltito pelos tuas respirações e faço desse peso [que não meu] quase riso. E rio tanto, não é?
Mas eu falava do teu colo. E do meu.
Do onde e quando.
Que inventemos poesia, mon'amour. Que eu dance na pontas dos pés pra alcançar tua boca. Que rasgue as meias-calças e me coloque nua. O que é que fariam da minha nudez despudorada? Se eu sambasse enquanto choro: seria triste - tão triste. E essa insistência desgraçada, de que me vale? E mesmo escrevendo e concatenando a crença toda, o Deus [assim mesmo, com letra maiúscula] que me provaram existir. Mesmo nas rasuras dos equívocos. Ando procurando, e que me aflijo, essa ausência. Já não durmo como já soubera, tempos outros. Já não como feito degustava. Essa mão gelada é morte, meu querido. Me abraça? Aperta devagarzinho até que o ar vá se esvaindo pouco a pouco...Feito bolhas.
Feito vida.

posted by FEFA ALMEIDA SILVA | O Inferno São os Outros

Terça-feira, Dezembro 05, 2006  


(foto: Luciana Kornalewski)

[das Minas Gerais e das vezes que não me reconheço em mim...]

Todo silêncio que se alcança na possibilidade da multidão. O silêncio que não preenche, nem esvazia. Simplesmente o vão. O que ameaça ser, quando não. O que experimento testar quando quase aquilo. A vantagem de não-pertencer. O sabor de não-ser. A sinceridade de ouvir.
Voltar para lá é complicado. Confessam os grandes e se mostram os realmentes. Já não sei onde caibo. Dizem carros e placas.
E recebo vistas.

posted by FEFA ALMEIDA SILVA | O Inferno São os Outros

Hermann Hesse, por Andy Warhol
Os Dias de Ontem

Palavras e Imagens

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A Voz do Silêncio