Sexta-feira, Setembro 29, 2006
Como é que se asfixia um soluço?
E ao redor pasmam todos os outros. Aqueles que se encostam como mosca que cai na sopa - delírio demais pra pouca asa.
Todos com quem eu teria um filho ou pactuaria um assassinato a sangue frio.
Mas meus dentes mordem fogo e eu sei cuspir o ácido que te cegaria. De seguro so há o bambo. De dança só há o cansaço.
Ainda nem comecei a te entregar meus espinhos arrancados - anos, gasta-se anos, nessa tarefa de arrancar os próprios espinhos - e tu me olhas patética com as mãos do sangue que propositalmente tu me arrancaste, cobrindo minha pele dos espinhos que eram teus.
Mas não há mal, nem medo.
Só te vejo menor e esguia. Só te seguro as mãos porque teu susto me cobra um pouco de pena. (Mas eu te digo com leveza que em mim, nada de ti rasga.)
O rombo nas minhas costas logo seca: deixe surgir a lua.
E vai-te menina fraca, vai plantar teus desalentos, que assim cheia de desencontros eu te quero na distância de uma vida.
Inteira.
posted by FEFA ALMEIDA SILVA |
O Inferno São os Outros
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