HORAS DE CLARICE
"A ave sai do ovo. O ovo é um mundo. Quem quer nascer tem de destruir um mundo." (Hermann Hesse)


Sábado, Abril 29, 2006  



tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac.

Duas cervejas.

tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac.

Um cd e um livro.

tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac.

-Você é foda! Foi bonito pra caramba.

tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac...

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Segunda-feira, Abril 17, 2006  


Eu prometi que vou conter palavras desnecessárias.
(mas as vezes eu minto!)

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Sábado, Abril 08, 2006  



DA SOLIDÃO (possivelmente saudável) A DOIS, OS FRUTOS:

* Há uma infinidade de coisas dispersas. Por vezes nos confortam, noutras nos afetam. Agir sobre essa sutileza é alcançar o bem-estar.

* Quando a gente percebe que a quebra da regra é uma regra, perde-se o prazer nato da exceção e descobre-se o chavão.

* No arroto do dorso há a solidão. Na esquina da coluna, disfunçao. No desejo dos olhos, ilusão. E na contenção das palavras:
soluço.

* Meias de algodão, antônimo de: inteiras de espinho.

* Brochura pura fura a cura.

* A tarde cai à meia-noite na janela do abajour verde.

* No vão das pernas: buraco
No vão das idéias: o tato

*- Pinta, minta!
-..é tinta.

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Quinta-feira, Abril 06, 2006  



O início:
Não, não. Veja bem: quando me levanto sem te olhar nos olhos isso não indica descaso ou despaixão. Sabe, despaixão? Quando não só deixa de desejar a pessoa, mas cria-se um efeito oposto, quase de..hum...de rejeição mesmo, entende? Pois então, não se trata disso. É só talvez que eu não esteja disposto a lhe ser inteiro agora e não há nada ligado a individualismo extremo, tá? Fique tranquila, eu ainda quero ficar com você. Não que eu querer ficar com você seja motivo de traquilizar tua vida, nem acho que eu seja capaz de tanta coisa. Não, não to dizendo que tua vida é louca, mas é um pouco tumultuada, concorda? Sim, já disse que não gosto de calmarias, mas quando me refiro a tua vida a coisa é meio que quase outra. Como é que posso te explicar? Anh...Fico querendo dizer que você se satisfaz nessas movimentações, que de certa forma quando tu não tem tempo nem de ir tomar um suco na esquina, isso de algum modo te faz bem. Não, não é isso, não é que não ter tempo te faz bem, mas é como quando tu teve aquela dor de cabeça, no último feriado, sabe? Calma, eu vou fazer o link das idéias. Eu já sabia que tua enxaqueca tava braba, mas tu insistia em me olhar com os olhos caídos e se eu te olhava de volta aí tu gemia, como se houvesse um prazer na dor...mais ou menos aquilo que Dostoiévski disse em algum lugar sobre a dor de dentes, se lembra? Não é que você finja, pelo contrário! A cabeça realmente doída e eu realmente sabia...é aí que se encaixa a idéia do prazer na dor, entendeu? E o link com o suco da esquina se dá que tua correria, de certa forma, te dá um certo prazer, certo? Tá bem, esqueça a dor de cabeça e o suco da esquina. Não houve uma mudança de assunto é que as conversas são mesmo assim, de irem caminhando e depois a gente perder o ponto inicial. Aliás, adoro fazer esse retrocesso, você sabe, ir voltando de assunto em assunto anterior até resgatar o início e aí faz tanto sentido a forma como as coisas caminharam que fica até mais bonito. Quer fazer o restrocesso, você também gosta disso? Eu não sabia... Ah, entendi, é que não entendo bem tuas queixas, sabe? Talvez você não esteja enxergando o teu lado da questão. Não, eu falei certo sim, estou dizendo o teu, o seu, o lado que te pertence dessa questão. Ué, essa questão que você ta levantando aí. Não esqueci...falávamos da despaixão. Sim, o termo é meu, mas era sobre o que discutíamos, certo? Ah, você quer que eu retroceda ao ponto de levantar da cadeira? Eu já entendi, não estou levantando, literalmente. Estava querendo voltar ao ponto em que me referia que quando levanto da cadeira sem te olhar nos olhos, isso não é despaixão, embora lhe soe muito forte que seja um início disso. E de inícios não sei entender bem. Mas porque preocupada com o início se o que você teme é o nosso fim? Início do fim? É...aí já não sei dizer. Mas não me faz sentido essa tua neura, se for o início a gente só vai saber que era o início quando chegar o fim, concorda? Ahan...Uhum...Sei, sei...Não, eu to entendendo sim...Entendi...É complicado mesmo....Uhum...É, então tu tinha razão.
...Era o início do fim.

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Quarta-feira, Abril 05, 2006  


Engraçada essa coisa de fases.
Eu preocupada e ocupada em mantê-las ligadas, permeadas umas pelas outras, dependentes em seus começos e fins. Tudo pelo medo de assim de repente me perceber rompida. Aquele medo de olhar pra traz e não alcançar os antigos cheiros e sabores, de não me reconhecer nos velhos retratos e risos. Medo de ter entre as fases um salto que não me mantenha íntegra e contínua, mas que me torne um acúmulo de tempos mal colados com os tais espaços em branco. Sabe aqueles momentos entre uma sensação e outra? Aquele oco? Pois então, nele só se encaixa o medo e o truncamento. Não há uma passagem indolor pra fase seguinte, é o tal salto entre dois montes, como se não se pertencessem - talvez não se pertençam mesmo - e no meio o buraco oco. E tão buraco, e tão oco que nem o fato de serem ambas fases minhas, possam ser equivalentes em algo. Como se meu corpo e o que chamam de vida se tornasse por demais inválido diante desse espaço.
Agora é fase outra, começo. Mas eu olho aflita pra traz e pras pessoas em busca do fio fino de ligação e me arrepia os poros não enxergá-lo. Dá medo dos outros medos. De não caber mais nas pessoas e não saber como retê-las em mim. Da fase ser tão outra que eu já nem me reconheça sendo. De entender que tudo antes não fora nada e que o começo é mais que o começo da fase, mas um começo maior, bem maior e que ainda não sei entender.

posted by FEFA ALMEIDA SILVA | O Inferno São os Outros

Hermann Hesse, por Andy Warhol
Os Dias de Ontem

Palavras e Imagens

Cotovelares
Bagatelas!
Maroca

A Voz do Silêncio