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"A ave sai do ovo. O ovo é um mundo. Quem quer nascer tem de destruir um mundo." (Hermann Hesse)
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Sexta-feira, Julho 29, 2005
Ainda que perdida, solitaria, avessa. Ainda que estranha, que fruto novo. Ainda que nao risse com a graca das que fazem graca. Ainda que tao simples feito lapis. Ela poderia desvencilhar os passos na avenida e poderia ser capaz de cutucar mais fundo. Porque tinha as palmas das maos tao finas como se desconhecessem a dor e o mal-trato. Tinha a alma levemente calejada. E entao ela seria capaz da furia, do vento, da fusao de horarios e copos. Ainda que nao conhecesse o mar, tinha a sola dos pes conhecedoras das areias da praia. O que ela nao conhecia era o palpavel. Porque no tom tinha um apice gostoso, uma cadencia leve e um embalo de contagio facil. E entao poderia falar em voz alta, poderia filmar os sussurros e guardas todas as chaves. Porque era graciosa feito beiral de janela. E sem saber de onde lhe brotava o rude, ela tinha aquilo que arranha, que vai ferindo, lentamente, pele por pele, buscando o prazer escondido na dor. E porque tinha um pescoso de seda e porque tinha longos os dedos, feito cordas que querem lancar ancora e deixar o barco estatico. E porque tinha aquele frescor de fim de tarde chuvoso,e um calor de meio-dia que lhe enrubecia o olhar. E entao ela podia caminhar sem dono nem tempo. Por culpa da boca, da memoria em minucias. Por culpa do que nao sabia. Era por isso, tambem. E tudo mais, porque era hoje. E hoje sim. Hoje ela seria capaz de apaixonar o mundo.
posted by Fefa
8:17 PM
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