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"A ave sai do ovo. O ovo é um mundo. Quem quer nascer tem de destruir um mundo." (Hermann Hesse)
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Quarta-feira, Julho 28, 2004
SERÁ QUE SOU EU?
Sou tímida com quem não conheço e descontraída com quem já tenho mais intimidade. Gosto de música, de Clarice e de escrever. Tenho pais e uma irmã maravilhosos. Não gosto de acordar cedo. Temos uma cadelinha linda, Wendy. Já morei em 5 cidades diferentes, de 3 estados diferentes, de 2 países diferentes. Adoro sebos e livrarias. Tenho cabelos enrolados e gosto do meu sorriso. Sou ótima companhia pra qualquer viagem. Beber muito café me deixa sensível e intensa. Amo meus amigos. Lendo minha mão disseram-me que, apesar de eu não saber, já conheço o meu futuro marido. Gosto muito de cinema. Durmo mais do que preciso e do que gostaria. Tenho saudades eternas. Ainda aprenderei tocar violão. Praia com sol é sempre bem-vinda. Tive o melhor professor do mundo. Descobri Hermann Hesse. Calço 36/37. As vezes uso meu óculos para miopia e astigmatismo. Já estudei em 8 colégios diferentes. Já me apaixonei perdidamente. A lua me fascina. Tenho os dedos das mãos longos. Fiz três tatuagens. Sou amante de cartas. Não sei me maquiar. Acho que o Brasil ainda tem jeito. Gosto de cerveja e de fotografias. Odeio ter que passar no vestibular pra então cursar jornalismo. Uso frequentemente a internet. Acredito na beleza das pessoas. Já fui assaltada. Já me encontrei e me perdi em meio ano de teatro. As vezes beiro a loucura. Não gosto de linearidades e calmarias. Sou meio engraçada mas não sei contar piadas. Já perdi muitos piercings do meu nariz. Já furei a orelha sozinha. Estou sempre redescobrindo Arnaldo Antunes. Plantava milho no quintal quando era pequena. Detesto precisar do dinheiro. Já ri de doer muito a barriga. Já tive o amor correspondido. Gosto de montanhas-russas. Quero conhecer a África. Não sei pensar a longo prazo. Já quis sumir. Falo muito e as vezes sozinha. Estou descobrindo quem foi Che. No inverno tenho as mãos e pés frios. Não sei fazer chocolate-quente. Ainda aprenderei a falar italiano. Adoro iogurte de pêssego, Manuel Bandeira e risadas.
posted by Fefa
12:30 AM
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Terça-feira, Julho 27, 2004

posted by Fefa
2:09 AM
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Segunda-feira, Julho 26, 2004
DIAS EXATOS
Eles se conheciam só de nome, de citações de amigos em comum e a primeira vez que se falaram foi virtualmente. Talvez ali já existisse um pricípio de encantamento, mas ela ainda não havia percebido nem rotulado nada, achava gostoso deixar as coisas andarem livres como se fosse indiferente a elas. Quando se viram se descobriram engraçados, não sabiam que ririam tanto dos comentários que faziam e mal sabiam que ainda viriam numerosos e longos dias além daquele, e que estes mesmos dias mudariam de forma tão intensa e significativa suas vidas e as pessoas que eram. Ele gostava de roupas coloridas e do cheiro da laranja que fica na mão quando a gente corta. Ela gostava de café e de falar da vida. E eles se gostavam tímidos e proibidos, mil os motivos que julgavam ter, mas deviam, provavelmente, ser coisa de suas cabeças complexas e confusas. Não que ela sempre ficasse bêbada, mas não podia tomar muita vodka porque acabava dizendo coisas das quais nem se lembrava depois, mas ele não ligava e sabe, até gostava, ainda que ela ficasse pedindo cigarro pros teus amigos e depois esquecesse disso tudo. Ele sempre condenava o fato dela beber cerveja, mas acabou por gostar da idéia e foram seguidos os dias em que também tomou as suas. Juntos eles sabiam se esconder, sabiam chorar, sabiam ver a lua mais linda, sabiam prometer, sabiam dormir, sabiam se olhar, sabiam estar na rede...e tantas outras coisas mais que só eles mesmo sabem que sabiam. Ela era intensa e queria passar no vestibular. Ele era linear e não sabia bem o que queria. E, ainda nesses dias que se passavam, eles se cruzaram, tropeçaram, trocaram de lado. E vinham mais histórias, mais dedos, mais silêncios e sorrisos. Mas vinham também desencontros, desencantos, desconsiderações. Ele era lindamente confuso e complexo e ela nunca quis tanto, como naqueles dias, entendê-lo, mas é certo que as coisas tem seus tempos e contextos, seus momentos e eles não sabiam desde quando estavam se perdendo e não adiantava mesmo insistir, tentar amarrar as coisas que faziam sentido, porque elas faziam sentido justamente por serem livres e soltas. Ele não era pra ser dela, ou talvez ela não fosse pra ser dele, mas a verdade é que mesmo doendo era tudo tão bonito. Mesmo rasgando alguns fios de certezas ela se encantava, ela sorria, ela assistia mesmo que chorosa, ela achava mesmo tudo lindo...e ele? Dele ela já não sabia mais.
posted by Fefa
3:20 PM
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Domingo, Julho 25, 2004
Pela imprevisibilidade e transitoriedade da vida...pela conexão surreal das coisas...pelo desejo de melhora...pela capacidade de mutação...pelo livre arbítrio...pelo tufão do outro lado do mundo.
posted by Fefa
3:21 PM
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Quinta-feira, Julho 15, 2004
A gente vai deixando pedacinhos da alma adormecerem a medida que novos pedacinhos nascem ou nos são dados...Mas também pudera, não caberia tanta alma em corpos e mentes tão limitadas. Somos múltiplos de nós mas externamos só um reflexo de tudo que cabe dentro do dentro do dentro do dentro. E há aqueles que nos desvendam com sorrisos e traduzem nossos segredos com o toque dos dedos, essas, provavelmente, são as pessoas por quem nos apaixonamos e decidimos um relacionamento (entenda-se todo tipo de relacionamento). E aí o dia que você abre uma gaveta antiga e decide revirar papéis, fotos e cartas, se descobre, acorda alguns pedacinhos da alma e eles vem recheados de sensações, lágrimas, arrepios e você sente que acariciou-se, redescobre o que um dia já foi, relembra a intensidade de momentos que hoje ficaram assim: traduzidos em arrepios. E quando lembra dos antigos toques, das antigas frases, das antigas gargalhadas quer resgatar e atordoar a alma inteira pra ela permaneça assim "sempre alerta"! Mas e aí fecha a gaveta e apaga a luz...e tudo dorme tranquilamente de novo até a próxima manhã que os chamará. E enquanto elas não são reacesas você continua a adormecer outros pedacinhos e a ganhar outors e a dar outros e a trocar outros e a nascer outros...E não há nada mais lindo que a vastidão da alma e a capacidade de mutação e transposição que ela possui.
posted by Fefa
5:34 PM
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Quem sabe um dia eu ainda não descubro até onde vai a ignorância, até onde vai a humanidade pura do homem, até onde posso olhar pra mim isenta de podridões conseqüentes de uma sucessão de tempos empurrados, passados, gastos. Um dia, talvez, eu olhe pros lados e consiga ver mais do que pessoas com suas respectivas coisas. Pode até ser, que um dia desses eu volte a saber onde colocaram toda a expontaniedade do universo e quem sabe eu também possa descobrir como um mesmo som, de mesma notas, mesmo volume seja tão capaz de inspirar e definhar certos sonhos e impulsos.
Talvez a ignorância seja uma dádiva e felizes daqueles que nem sabem o que não sabem.
"Eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades..."
posted by Fefa
5:14 PM
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Quinta-feira, Julho 08, 2004
Tenho estado seca e muda nos últimos tempos. Covardemente eu listo motivos pra tal desencontro com as palavras mas bem sei que não se difere de outros momentos cegos, escuros.
Na boca, o gosto de café; nos gestos, o gosto de saudades; na alma, gosto tanto dela...do verbo gostar.
Que tenha então uma boa viagem, minha irmãzinha, e que rasgue profundamente a alma do mundo comprovando que não existe limite pras intensidades, pras madrugadas e pros vinhos.
Te amo minha lindinha...e já olho pra chuva lá fora como quem estivesse a lhe esperar anos...já espero notícias tuas e a euforia de rasgar envelopes, atender telefone, abrir caixa de e-mails.
E tudo assim...sutilmente ridículo e real...delicadamente visceral.
posted by Fefa
11:31 PM
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Quinta-feira, Julho 01, 2004
Ela sabia, sabia de tudo...Eu não alcanço o entendimento mas é imutável que ela sabia.
Fiquei torta e rouca implorando e rogando ao que eu mesma desconhecia, procurando pela essência que me ahaviam furtado e estava em meio a cegueira dessa solidão roçante. Mas ela sabia do que eu precisava, ainda que eu tivesse pensado na mesma solução e a cuspido metros adiante desmerecendo seu valor personal, único, inimaginavelmente imemorável. Pois bastou sabê-la ao outro lado, quase sem sabê-la, pra que eu caísse em gargalhada e me pusesse a esperá-la..."Queria te ver hoje, mas to com minhas coisas atrasadas; mas sabe...to gostando de que seja amanhã, vou ficar ansiosa, esperando dar a hora...". E bastou que ela soubesse pra que tudo reluzisse um pouco de seus sentidos e agora eu enxergo os valores se resguardarem timidamente de cabeça baixa como se tivessem violado a lei de existência mundana. E amanhã ela vem...
posted by Fefa
6:14 PM
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