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HORAS DE CLARICE
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"Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo." (Drummond) Comments: Quarta-feira, Agosto 20, 2003 Melhor do que abrir a caixa de email e encontrar mensagem da Mari cheia de Gumaraes, impossivel!!!!! Nao podia ler e guardar...tah aqui pra quem gosta, quer conhecer, relembarar, sentir, rir, sangrar, decorar, esquecer... Algumas coisas lindas do Guimaraes, o Rosa. "Tudo que quis foi fazer estórias, tudo com um viver limpo, novo, de consolo. Portanto, se tem de haver uma frase feita, eu preferia que me chamassem de reacionário da língua, pois quero voltar a cada dia à origem da língua, lá onde a palavra ainda está nas entranhas da alma, para poder lhe dar luz segundo a minha imagem. No mais, o sertão é sem volta, mesmo." "Cada um de nós se esquecera de seu mesmo, e estávamos transvivendo, sobrecrentes, disto: que era o verdadeiro viver?" "Fiz o caminho. Sem tomar direção, sem saber do caminho. Pé por pé, pé por si. Deixei que o caminho me escolha. Na travessia, só silêncio. O nenhuns-nada. O alegre, mesmo, era a gente viver devagarinho, miudinho, não se importando demais com coisa nenhuma. Nessa estrada, salvou-me a palavra." "Todo grito, sobre ser, se estraçalhava, estragava, de dentro de algum macio miolo - era o começação de desconhecidas tristezas. Então, experimentei meu estilo. Mas, ainda haveria mais, se possível: além dos estados líquidos e sólidos, porque não tentar trabalhar a língua também em estado gasoso? Quer dizer, tem horas em que penso que a gente carecia, de repente, de acordar de alguma espécie de encanto. Ademais, a música derretia o demorado das realidades." "Eu não sei o que sou. Posso bem ser cristão de confissão sertanista, mas também pode ser que eu seja taoísta à maneira de Cordisburgo, ou um pagão crente à la Tolstói. No fundo, tudo isto não é importante. É um assunto poético e a poesia se origina da modificação de realidades lingüísticas. Eu quero tudo: o mineiro, o brasileiro, o português, o latim, talvez até o esquimó e o tártaro. Queria a linguagem que se falava antes de Babel. Amo a língua, realmente a amo como se ama uma pessoa. Isto é importante, pois sem esse amor pessoal, por assim dizer, não funciona. Quando escrevo, repito o que já vivi antes. E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente. Não gosto do transitório, do provisório. Gosto do Eterno." postado por: FEFA ALMEIDA SILVA 11:49 PM Comments: Terça-feira, Agosto 19, 2003 ESSA COISA Sera invençao essa coisa de amor? Eu procuro, inquieta, refugios pras dores que sangram tao finas e eternas. Procuro tijolos e pontes, procuro sorrisos e abraços, procuro silencio em meus gritos. Carencia covarde que roça profunda um peito escancarado pedindo aconchego. Sera invençao essa coisa de amor? Sera que crio laços e costuro corpos pra nao ficar so? Sera que enfeito e coloco etiquetas que nao sabem rotular? Porque eh incessante esse frio, esse medo. Os olhos sao eternamente umidos e esquecidos no ar. As maos sequer apalpam, os pes sequer sustentam, os sabores jah nao confundem-se. Porque ha agua demais entre as terras. Porque ha medo demais em mim. Ah! Se invento, entao que o faça direito. Que acentue e pontue corretamente. Que nao borre, nao rasgue, nao erre. Ainda que humana, nao erre! Porque se crio nao posso falhar. Invento e reclamo, do que? Sera invençao essa coisa de amor? Essa tortura que sufoca e cansa e suga e doi e passa e nunca vai embora? Que nao seja, pois, invençao minha. Que eu nao carregue o peso desse auto-flagelo. Que sejam possiveis nomear os culpados e que os infelizes amem tanto quanto fazem os utopicos amantes sofrer. postado por: FEFA ALMEIDA SILVA 2:18 PM Comments: Domingo, Agosto 17, 2003 PARADEIRO (Arnaldo Antunes) Havera paradeiro para o nosso desejo dentro ou fora de um vicio? Uns preferem dinheiro outros querem um passeio perto do precipicio. Havera paraiso sem peredr o juizo e sem morrer? Havera para-raio para o nosso desmaio num momento preciso? Uns vao de para-quedas outros juntam moedas antes do prejuizo. Num momento propicio havera paradeiro para isso? Havera paradeiro para o nosso desejo dentro ou fora de nos? postado por: FEFA ALMEIDA SILVA 5:45 PM Comments: Ja faz algum tempo e eu nao venho sabendo extravasar o que me toma, se eh que venho sendo tomada por alguma coisa. Aquela velha sensaçao de que tudo secou e tudo virou nada mais nada menos que uma sensibilidade ridicula qu aparece nas mais inusitadas formas. Eh angustiante ter em mente o que se pretende com um lapis e papel pra de repente chegar ao final do que se fez e ter raiva, odio puro, real. Desesperador a incerteza de que as palavras vao voltar a sair espontaneamente e os traços voltarao a fazer sentido. Perdoem-me o vazio e tudo tao raso que tenho feito, ainda nao descobri se em tempos de seca vale a pena continuar, talvez o que me mova seja a esperança de que a chuva um dia chegue. postado por: FEFA ALMEIDA SILVA 2:30 AM Comments: Enquanto passava a mao sobre a tela seca deixava os olhos se perderem leves. Roçava os dedos entre os autos da tinta e permitia que lagrimas roçassem seu peito. Lembrava-se de tentar acompanhar a beleza do que via e frustrava-se sempre que chegava ao final, quando o que fizera pouco se parecia com o que vira e menos ainda com o que imaginara, e eram angustiantes as incasaveis horas e sabores e cores e desejos que depositava a fim de se chegar em algo mais do que o que fazia. E entao um dia chorosa gritou a mae que viesse ver a arte que enfim calara todos os fantasmas que a atordoavam e doeu ver os olhos perdidos da mae encararem a tela branca sem saber o que dizer. "Pronto mamae, assim cada um olha e enxerga o que quiser ver, diga o que quer que eu pinte e jah estara bem ai nessa tela! Como posso chama-la?". Chamou de vida sem nem sabero sentido do que dissera, nao era a primeira vez que se calava e sentia, inconscientemente, que um dia entenderia. As paredes e o teto escritos e rabiscados confundiam-se com as telas penduradas em desordem por toda a casa. Por mais que a menina tentasse e quisesse, nao havia mais como, antes mesmo de começar, a tela branca se findara, nao havia o que pintar, o que desenhar, o que tentar, algumas coisas se recusavam a fazer parte de vontades e simplismente eram, eternamente eram. postado por: FEFA ALMEIDA SILVA 2:22 AM Comments: Terça-feira, Agosto 12, 2003
postado por: FEFA ALMEIDA SILVA 10:15 PM Comments: "Escritas e rabiscadas paginas quase concluidas ao amanhecer. As pessoas que vivem aqui estao se indagando aonde foi parar toda a sua força. Momentos de esplendor voam como cinzas na chuva. A um olhar, voce esta sorrindo. Ao outro, seu rosto sente dor. Eu acordo a noite com suor em minha fronte. Um olhar em seu rosto que me atormentara ate o dia de morrer. Eu simplismente nao consigo me esquecer de algo que me disse: o amor eh um orfao uma criança sem mae e mal-alimentada. Entao nos rimos da piada, enxugamos as lagrimas ate elas desaparecerem. Bebemos e festejamos. Vao nos esncontrar mortos ao amanhecer. Estamos tao longe de onde quer que tenhamos vindo que, as vezes, eu me indago se veremos nossa terra de novo. E´ verdade o que dizem... nao se pode mais voltar pra casa. Nao se pode mais ter seu interior aquecido no amor, somos como orfaos, ESTRANHOS NO PARAISO." (Terry Moore) postado por: FEFA ALMEIDA SILVA 10:13 PM Comments: Domingo, Agosto 03, 2003 Ainda nao sei amar...Nao daqueles amores livres e puros. Nao sei. Amo cheia de correntes e de travas e de medos que poluem aquela coisa limpida e transparente que inicialmente eh o amor. Sinto nada mais que um amor podrificado pela ignorancia humana que existe dentro de mim. Sinto pouco do que realmente entende-se por amor. E digo que amo. Digo porque talvez nao saiba mostra-lo, porque sendo assim, podre, nao eh facilmente perceptivel. Eh preciso avisar que amo pra que nao se confundam dores, nao se misturem reaçoes, nao se perca o controle. E entaum aviso que amo, pra que se subetendam carinhos, dedicaçoes, doaçoes, afinidades. Digo que amo, aviso que amo pra pedir que me amem tambem, porque sou porcamente carente, de uma carencia infindavel e triste, que pede amor pra se curar, e nao se cura. Queria sim o amor de donzela, fora os brilhos e açucares que lhes acrescentam. Queria o amor livre. Queria o amor pra que pudesse da-lo e em reciprocidade te-lo. Nao como bens, nao como dominio, mas como existencia. Mas ainda nao sei amar. E invento sensaçoes e dependencias, e crio laços e calores. Esse amor sujo me ergue, mas pode sufocar, enforcar, definhar. Queria amar como coisa natural, como suor que externa pela pele, como cabelos e unhas que crescem ritmados, sim eu queria esse amor puro como bem da humanidade, como libertaçao da hipocrisia. Mas eu ainda nao sei amar. E enriqueço as criaçoes vagas e rasas pra que eu possa ainda existir, pra que possa ainda ver o Almodovar pelas janelas, pra que ainda ouça o vento me trazer Chico. Invento amores. Invento tudo que satisfaça essa fraqueza vil de quem ainda nao sabe amar. Porque nao sei. Ainda nao sei amar... postado por: FEFA ALMEIDA SILVA 9:38 PM Comments: "As coisas tem peso, massa, volume, tamanho, tempo, forma, cor, posiçao, textura, duraçao, densidade, cheiro, valor, consistencia, profundidade, contorno, temperatura, funçao, aparencia, preço, destino, idade, sentido. As coisas nao tem paz" postado por: FEFA ALMEIDA SILVA 2:34 PM Comments:
postado por: FEFA ALMEIDA SILVA 2:32 PM Comments: src="http://www.horasdeclarice.blogger.com.br/Arnaldinho2.jpg"> "As coisas tem peso, massa, volume, tamanho, tempo, forma, cor, posiçao, textura, duraçao, densidade, cheiro, valor, consistencia, profundidade, contorno, temperatura, funçao, aparencia, preço, destino, idade, sentido. As coisas nao tem paz" postado por: FEFA ALMEIDA SILVA 2:27 PM Comments: Sexta-feira, Agosto 01, 2003 CHORO COMPULSIVO Meu grito eh um soluço. E hoje a lagrima se fez dolorida sangrando o peito roçado pelo desentendimento vago, implicito, jogado aos poucos. Como perfume no ar que envolve tudo sem ter começo nem fim. Como tinta que marca, nao apaga, imutavel. Ainda que quebrem os muros ou pintem por cima a tinta existe unica. Meus olhos inchados e cansados de chorar encaram a noite palida e fria que entra pela janela da sala, engolindo o mundo, sendo engolida. Ha vozes no quarto ao lado, vozes comuns, cada vez mais baixas, cada vez mais raras, cada vez mais frias. O farol do carro la em baixo ilumina o lixo revirado pelo vira-lata e meus pensamentos acompanham as folhas que rastejam com o vento - fizeram parte de alguem, existiram inteiras e rastejam solitarias - eh o fim? Bem que a lua podia brilhar durante o dia soh pra nao deixar tao triste as estrelas menores que esforçam pro destaque na imensidao negra acima dos nossos olhos, ou soh dos meus. Cansados de chorar. As flores, como os passaros, podiam voar, soh pra me aparecerem violetas coloridas tingindo esse buraco de onde arrancaram o cor-de-rosa, soh pra perfumar minhas narinas umidas de dor. E se pudesse pediria que o vento cantasse e embalasse minha alma repleta de correntes ate o mar pra que nadasse sem fim ate encontrar o sorriso sincero das bocas cada vez mais mudas, de vozes cada vez mais desacordadas, de amores cada vez mais endurecidos. postado por: FEFA ALMEIDA SILVA 1:30 AM
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